Thursday, November 23, 2006

Pra ver e pensar.




Paradise Now
Americano – 88 minutos
Direção – Hany Abu-Assad

Apesar de ter sido produzido pela divisão independente da Warner e com produtores israelitas, o filme não é descaradamente anti-palestino. Ele mostra as últimas 48 horas de dois homens-bomba se preparando para um atentado. Explora a dualidade da situação: convicção por um lado, insegurança por outro, coragem e medo, ódio e doçura, fé e descrença.
Bom e atual.

Embarque no Elevador Lacerda.




Cidade Baixa

Brasileiro – 110 minutos
Direção: Sérgio Machado

Taí, gente, um bom filme de um cinema que já fez escola (até hoje passam coisas do Cinema Novo nos cursos de realização em qualquer parte do mundo) e que anda meio “globalizado” pelos Daniel Filho da vida. Pra variar, o Lázaro Ramos rouba a cena, mas a Alice Braga segura legal o papel da garota de programa sem drama existencial. As locações fogem dos cartões-postais de Salvador e mostram uma cidade sem axé e dendê.

Raquel viu e bota na roda




Um Casa do Fim do Mundo – A Home at the End of the World

Texto e indicação da Raquel Ferro.
Americano – 93 minutos
Direção: Michael Mayer

Delícia de filme. O forte são os personagens e o melhor deles é interpretado magnificamente por Colin Farrel, aquele bonitinho com cara de cachorro órfão. Ele faz aqui um papel cativante, um ingênuo sobrevivente da vida e cheio de amor pra dar. No vértice de uma inusitada relação triangular está Robin Wright Penn (famosa pelo Forrest Gump e invejada por ser mulher do sensacional Sean Penn). A eterna estranha Sissy Spacek faz uma mãe cabeça feita. O roteirista Michael Cunningham é premiado pelo Pulitzer (As Horas) e fala de amor, sexo, drogas e amizade de maneira sensível, despretensiosa, respeitosa e bem humorada. O diretor, outro Michael (Mayer) faz tudo parecer simples, fácil e interessante na vida. Faz a gente querer mais. Mas não se engane meu bem: tudo tem um fim. Ah, a trilha é algo à parte. Ou melhor, tão bem inserida que dispensa comentários.

Thursday, November 16, 2006

Missão impossível




Bloom. Toda uma Vida em um Único Dia – Bloom

Irlandês – 108 minutos
Direção: Sean Walsh

Qualquer um que tenha tentado ler o Ulisses do James Joyce (eu tentei e não consegui) sabe que nenhum cristão pensaria em transpor para a tela essas quase mil páginas de difícil digestão. Pois é, mas outro irlandês teimoso fez isso. E não pense que o filme é mais fácil que o livro. Muito menos a tradução que, no caso, aqui não foi feita por nenhum Houaiss. O filme vale, digamos, como um trailer do livro. Ou uma iniciação.

Curto pero cumplidor



Bubble – Bubble

Americano – 73 minutos
Direção: Steven Soderbergh


Não pense que os 73 minutos são um tempo muito curto para um longa metragem. Esse cara prova que é mais do que suficiente para localizar a história, apresentar os personagens, criar envolvimento entre eles e culminar com um desfecho inesperado.
O filme foi rodado numa cidadezinha de merda nos Estados Unidos e é muito bem conduzido por três atores que interpretam operários de uma fábrica de bonecas. O diretor é o mesmo que fez o Traffic, aquele filmaço que tornou o Benicio Del Toro famoso.

Beleza de filme



Uma Vida Iluminada – Everything is illuminated

Americano – 105 minutos
Direção: Liev Schreiber


Uma bela viagem de resgate do passado de uma família judia realizada pelo neto, um cara estranhíssimo que coleciona coisas da família, até mesmo as dentaduras da falecida vó. O grupo que é formado para percorrer a Ucrânia em busca de uma cidade que ninguém conhece é fantástico: um velho, que se finge de cego, é o motorista; o seu cão-guia, que não guia nada, é totalmente pirado; o intérprete é quase um debilóide. Mas, por trás desses ingredientes de humor, o filme relata uma história trágica de uma forma muito sensível.

Friday, November 10, 2006

Roubadas

Atendendo a pedidos, aqui vão algumas friagens que andei vendo. Elas enganam pela ficha técnica ou pelo histórico dos envolvidos ou... Claro que não vou falar em merdas clássicas, apenas aquelas que parecem, mas não são.

O Albergue – Hostel
Americano – 94 minutos
Direção: Eli Roth

A roubada começa na capa: um imenso “Tarantino” no alto da página e, menorzinho embaixo, “apresenta”. A história é bem babaca: três garotões, dois americanos e um islandês, estão viajando pela Europa para comer todas. Até aí, tudo bem. O problema é depois: o filme desanda para uma nojeira de corpos cortados que nem o Zé do Caixão faria pior. Não tem humor, não tem trilha bacana, não tem nada.


O Ditador – The Feast of the Goat

Espanhol – 123 minutos
Direção: Luis Llosa

Mais um pai que se rende à mediocridade do filho. No caso, o escritor Vargas Llosa e seu filho Luis. Llosa, o pai, cedeu os direitos do seu livro “A Festa do Bode” para que Llosa, o filho, pudesse captar grana para fazer um filme. O resultado é uma calamidade. Se o livro não é grande coisa (uma história que se passa durante o reinado do Trujillo na República Dominicana), a versão cinematográfica é ruim de doer.

Sabadão V


Flores Partidas – Broken Flowers


Indicação do Padilha, grande redator no Rio de Janeiro e profundo conhecedor de botecos. Visitem o seu blog:
www.botequimdopadilha.com.br
Americano
Direção: Jim Jarmusch
106 minutos

Diz o Padilha:
Com o Bill Murray (meio ao estilo de "Lost in translation", mas com uma viagem pelo interior dos Estados Unidos à procura das antigas namoradas), é bárbaro. Assino embaixo. O Bill Murray dá mais um show e o diretor, o Jarmusch, é um dos criadores independentes americanos que faz um trabalho fora do padrão industrial.


Túmulo com Vista – Undertaking Betty


Outra do Padilha, não se esqueçam do seu blog:
www.botequimdopadilha.com.br
Inglês
Direção: Nick Hurran
94 minutos

Em inglês Undertaking Betty (a tradução para o português eu acho infeliz), com Alfred Molina, Cristopher Walker e Brenda Blethyn (aquela atriz britânica excelente que fez "O barato de Garce"), trata-se de uma inusitada comédia com roteiro muito original e um elenco de primeira.

Monday, November 06, 2006

Sabadão IV


Guantanamera – Guantanamera
Cubano
Direção: Tomás Gutierrez Alea e Juan Carlos Tabio
101 minutos


Uma divertida crítica do “vire-se quem puder” em Cuba. Por trás da história de um burocrata do Estado que inventa um sistema complicadíssimo de traslado de defuntos entre províncias cubanas, o filme critica, com bom humor, o sistema oficializado de escambos que rola no País. Detalhe importante: a música Guantanamera ganha engraçadas letras que narram episódios do filme.

Mentiras Sinceras – Separate Lies
Inglês
Direção: Julian Felowes
84 minutos


Aquela coisa bem inglesa: o personagem descobre que a mulher está dando pro vizinho da casa de campo, mantém-se impassível na frente de todo mundo, quase se mata na intimidade, consola a mulher quando o amante descobre que está com câncer, fica ao lado dos dois durante a doença do cara, etc.etc.etc.
Esse é o grande barato do cinema inglês: a história pode ser qualquer coisa, mas o filme sempre é bom.


Amor à Flor da Pele – In the Mood for Love
(Indicação do Bonny Nuñez, diretor de arte)
Chinês
Direção: Wong Kar-way
97 minutos


O filme se passa na década de 60 e tem aquele ritmo chinês: tudo muito lento, muito sutil, elegante. Mesmo se tratando de um drama, no qual os personagens se sentem abandonados pelos respectivos cônjuges, o filme não cai nunca no rola-rola rasteiro que sempre pinta em histórias de traição.
É um puta filme muito bem lembrado pelo Bonny.

Sabadão III




O Violinista que Veio do Mar – Ladies in Lavander


Inglês – 113 minutos
Direção: Charles Dance

As duas grandes damas do teatro e do cinema inglês – Maggie Smith e Judi Dench dão um show nesse filme do veterano Charles Dance. O filme vale também pela locação, Corwell, litoral norte da Inglaterra, uma vilazinha tão simpática que nem parece britânica. Pode alugar que é biscoito fino.




Monique Sempre Feliz – Monique

(Indicação e texto do Vital, redator aqui da agência)




Francês – 92 minutos
Direção: Valérie Guignabodet


O cara é um fotógrafo de moda que está de saco cheio do emprego, do casamento, dele mesmo, da rotina em geral. Pra completar, sua mulher arruma um caso com o professor de escultura e se manda de casa. Entre uma bebedeira e outra, ele acaba comprando uma mulher moldada em silicone pela internet ( sim, boneca inflável é coisa do passado) e lógico, se apaixona por ela. Linda, medidas perfeitas e sempre feliz pela bagatela de apenas 6 mil dólares. Ele não sai mais de casa, a não ser para ir à loja de lingeries. Com o tempo, começa a levar Monique (este é o nome dela) à casa dos amigos, a passeios de carro pela cidade, parques, etc. Essa relação faz com que seus amigos, incluindo sua ex, também comecem a questionar suas próprias relações e aí surgem novos conflitos. Um bom programa para casais, solteiros, amantes, divorciados e viúvos de plantão.